COB celebra dois anos da Floresta Olímpica do Brasil unindo esporte e sustentabilidade na Amazônia
Evento na Floresta Nacional de Tefé destacou o impacto ambiental e social do projeto em parceria com o Instituto Mamirauá e comunidades locais

Tácio Melo / Instituto Mamirauá
A Floresta Olímpica do Brasil completou dois anos com uma celebração realizada nesta terça-feira na comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, na Floresta Nacional de Tefé (AM), reunindo representantes do Comitê Olímpico do Brasil (COB), do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, do ICM Bio e moradores das duas localidades impactadas pelo projeto, da própria Bom Jesus da Castanha e da aldeia São Jorge da Ponta da Castanha. O Presidente do COB, Marco La Porta, a diretora de Comunicação, Marketing e Valores Olímpicos, Manoela Penna, e a atleta olímpica Nicole Silveira doaram equipamentos para a escola que atende crianças das duas localidades e realizaram, junto com outros integrantes da delegação e das comunidades, a semeadura de um hectare na área de reflorestamento.
“É uma alegria celebrar os dois anos de Floresta Olímpica do Brasil. Desde a nossa chegada, fomos recebidos com muito carinho, respeito e alegria. Isso demonstra a confiança nesse projeto. Queremos ser uma Nação Esportiva, mas também uma Nação Sustentável. O esporte tem um poder enorme de transformar vidas, de criar oportunidades e de aproximar as pessoas”, disse Marco La Porta.
Entre os presentes também estavam os líderes das comunidades Bom Jesus da Castanha, Silas Rodrigues de Oliveira, e da aldeia São Jorge da Ponta da Castanha, Elizeu Correa; a líder do grupo de pesquisa em ecologia florestal do Instituto Mamirauá, Darlene Gris; as atletas olímpicas de skeleton Nicole Silveira e Kim Meylemans; a gerente de Cultura e Valores Olímpicos, Carolina Araujo, e moradores locais, que destacaram a importância da iniciativa para a conservação da Amazônia.
Foto: Tácio Melo / Instituto Mamirauá
Um dos momentos centrais da celebração foi a doação de materiais esportivos realizada pelo COB para a Escola Municipal Indígena Olavo Nunes Correa, que atende crianças das duas localidades, representada pelo gestor Cláudio Coelho. Os materiais doados foram escolhidos diretamente pela comunidade, reforçando o compromisso da entidade com o desenvolvimento social por meio do esporte.
“Trazer essa iniciativa para as comunidades, junto com a doação de materiais esportivos, é uma forma de plantar não só árvores, mas também o interesse pelo esporte nas novas gerações. É o grande símbolo do que significa criar uma Nação Esportiva”, avaliou La Porta.
“A Floresta Olímpica mostra como é possível unir impacto ambiental e social positivo, levando os valores olímpicos para além do campo de jogo e fazendo parte da vida das pessoas e das comunidades. A presença da Nicole desperta o interesse pelo esporte, permitindo que crianças e jovens dessas comunidades tenham acesso a novas experiências e levem os valores olímpicos para suas trajetórias”, disse Manoela Penna, Diretora de Comunicação, Marketing e Valores Olímpicos do COB.
Com a participação de Nicole Silveira, e da esposa dela Kim Meylemans, também atleta olímpica de skeleton pela Bélgica, o COB segue a tradição de conectar os moradores locais com exemplos de inspiração. No lançamento do projeto, a skatista e medalhista olímpica Rayssa Leal foi a embaixadora de sustentabilidade presente, papel assumido por Nicole agora. Foi a primeira vez dela na Floresta Amazônica.
Foto: Tácio Melo / Instituto Mamirauá
“Eu nunca vou esquecer a sensação de chegar ao coração da Amazônia. É um lugar que sempre imaginei, mas que, ao ver com os próprios olhos, ganhou uma outra dimensão. É impossível não se sentir pequena diante de tanta grandiosidade, tanta vida e tanta beleza. Ao mesmo tempo que encanta, a Amazônia também nos chama à responsabilidade, porque um lugar tão único precisa ser cuidado e preservado. Foi um orgulho imenso viver tudo isso e compartilhar esse momento com a comunidade. Levo comigo todo esse carinho e todo esse aprendizado”, afirmou.
Foto: Rafael Bello/COB
Antes de realizar a semeadura na área de reflorestamento, a delegação presente também acompanhou uma explicação técnica sobre a metodologia “muvuca de sementes” aplicada no projeto pelo Instituto Mamirauá, parceiro do COB na Floresta Olímpica do Brasil. A líder do grupo de pesquisa em ecologia florestal do Instituto Mamirauá, Darlene Gris, destacou o caráter colaborativo e o impacto do projeto ao longo desses dois anos.
“Este é um projeto que, desde o início, foi construído de forma participativa, junto com as comunidades, e temos visto que isso tem feito toda a diferença. É uma experiência muito importante para todos nós, baseada no respeito, no diálogo e na construção conjunta. É um orgulho coordenar esse que é o primeiro grande projeto de restauração do Instituto, e que tem inspirado outras iniciativas”, afirmou.
A agenda incluiu ainda atividades de integração com o território e a cultura local, como o almoço na comunidade e uma caminhada guiada até a castanheira mais antiga do local, de cerca de 50m de altura e mais de 600 anos, conhecida como “Mãe de todas”. As crianças da aldeia São Jorge da Ponta da Castanha realizaram uma apresentação de dança indígena, antes de todos se misturarem para jogar com as bolas doadas às comunidades.
Foto: Rafael Bello/COB
“Foi uma honra receber mais uma vez o Comitê Olímpico do Brasil na comunidade. Estou muito feliz por estar acompanhando esse projeto há dois anos e espero que todos estejam tão felizes quanto nós com todo o trabalho realizado nesse tempo. Muito obrigado!”, disse Silas Oliveira, presidente da comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha.
Foto: Tácio Melo / Instituto Mamirauá
Localizada no coração da Amazônia, a Floresta Olímpica do Brasil integra a rede olímpica de florestas desde 2023 e atua principalmente nas comunidades Bom Jesus da Ponta da Castanha e São Jorge da Ponta da Castanha, nos municípios de Tefé e Alvarães. O projeto prevê a restauração de 6,3 hectares com o plantio de aproximadamente 4.500 árvores de espécies nativas, com potencial de compensação de cerca de 4 mil toneladas de CO₂ na atmosfera.
A Floresta Olímpica do Brasil foi uma iniciativa pioneira entre os comitês olímpicos nas Américas, e aposta em um modelo de desenvolvimento sustentável que gera alimento e renda. Assim, fortalece a autonomia de comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas por meio do manejo de espécies como a castanha da Amazônia e o açaí.
Foto: Tácio Melo / Instituto Mamirauá
A Floresta Olímpica do Brasil, que integra ações de restauração ambiental junto a populações tradicionais, tem previsão de seguir até 2030 com um total de 6.3 hectares restaurados (foram 4 hectares até o momento).












