Maria Elisabete Jorge, pioneira no Levantamento de Pesos brasileiro em Jogos Olímpicos, atua como árbitra no Panamá
Brasileira foi a primeira mulher a competir pelo Brasil e fala sobre evolução da competição feminina e as mudanças geracionais na modalidade

Léo Barrilari/COB
Primeira mulher a representar o Brasil no levantamento de pesos em Jogos Olímpicos, em Sidney 2000, Maria Elisabete Jorge segue fazendo história na modalidade. Presente nos Jogos Sul-Americanos da Juventude Panamá 2026 como árbitra, a ex-atleta relembra sua trajetória e celebra a evolução da participação feminina no esporte.
Conhecida como “Bete dos Pesos”, Maria Elisabete enfrentou resistência em uma época em que o levantamento de pesos era amplamente visto como uma modalidade masculina. Hoje, conta que encontra um cenário muito diferente e mais inclusivo: “Depois que participei dos Jogos, o preconceito foi diminuindo ao longo dos anos. Fico muito feliz em ver tantas mulheres competindo aqui. O levantamento de pesos é uma modalidade em que a mulher se adapta muito bem. Vi atletas aqui no Panamá com cerca de 50 kg levantando mais de 80 kg, o que mostra o quanto somos capazes”, destacou.
A entrada no esporte, no entanto, não foi imediata. Bete começou sua carreira no atletismo e, inicialmente, recusou o convite para migrar de modalidade por medo do preconceito. Depois de alguns anos, decidiu aceitar e se lembra da data exata em que estreou no Levantamento de Pesos: “Eu era atleta de atletismo e o meu professor me convidou para competir em 1983. Recusei, porque naquela época era visto como esporte de homem. Só em 1991 que aceitei competir, exatamente no dia 23 de janeiro, às 16h. E estou aqui até hoje”, relembrou.
Pioneirismo no levantamento de peso feminino
O currículo de Maria Elisabete Jorge inclui títulos importantes: campeã sul-americana em 1992 e bicampeã em 1994. No cenário mundial, conquistou a sétima colocação no arranque no Campeonato Mundial de Istambul, em 1994, e repetiu o sétimo lugar no Mundial de Atenas e nos Jogos Pan-Americanos de 1999, na categoria até 53 kg.
A trajetória de Bete se confunde com a própria evolução do levantamento de pesos feminino no país. Seu marco mais simbólico veio nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000, quando, aos 35 anos, se tornou a primeira mulher brasileira a competir no levantamento de peso olímpico.
“Na época, nem tínhamos barra feminina no Brasil. Acabei machucando a mão e terminei em nono lugar. Mesmo assim, o COB reconheceu minha participação. Quando voltamos, houve uma reunião em que anunciaram investimentos na modalidade e o início do Bolsa Atleta”, contou.
A participação pioneira ajudou a impulsionar o desenvolvimento do levantamento de peso feminino no país, abrindo caminho para novas gerações.
Mais de duas décadas depois de sua estreia olímpica, Bete segue contribuindo com o esporte, agora como árbitra, função que exerce há 26 anos. Nos Jogos Sul-Americanos da Juventude no Panamá, ela reforça o orgulho de continuar representando o Brasil.
“Eu me sinto representando uma nação. Já estive nos Jogos Olímpicos como atleta e hoje estou aqui como árbitra. Continuo representando as mulheres do Brasil, e isso é muito importante para mim”, explicou Bete.












