Uma verdadeira seleção brasileira no flag football para o Panamá 2026
Na estreia no Time Brasil, todos as cinco regiões do país cederam atletas para equipes feminina e masculina

Juliana Ávila/COB
Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Pernambuco, São Paulo, Santa Catarina, Amazonas. Diversos estados, todas as regiões do país presentes. Assim são as seleções feminina e masculina de flag football: uma verdadeira representação do país. "Ano passado nós começamos um processo de fomento com as seleções de base. Pouco tempo depois, soubemos que o flag football estaria no Panamá 2026. Foi o timing foi perfeito", conta Rakel Barros, chefe de equipe nos Jogos Sul-americanos da Juventude e vice presidente e diretora de seleções da Confederação Brasileira de Flag Football.
Ela conta que o passo seguinte à esta confirmação foi ampliar o campo de observação e abrir inscrições para jovens de todo o país interessados em participar de campings de treinamento. "Nós sempre tivemos uma filosofia dentro da Confederação: a seleção tem que ser nacional. O Brasil inteiro precisa fazer parte dela. Não é que intencionalmente vamos olhar de onde é a pessoa para convocar. Mas temos sim que olhar para todos as regiões, todos os estados, para encontrar os melhores", explica.
Assim, os times acabam por integrar jovens de realidades e culturas diferentes. Para a defensora Maria Eduarda Maia, 15 anos, de Manaus, além de ser um sonho disputar Jogos como estes, a integração também é um ponto a se destacar. Ela participou de três edições de campings de treino para ser selecionada. "Eu não conhecia nenhuma das meninas, mas conforme treinamos juntas, viramos todas amigas. E dos meninos também. É muito bom ter amigos em toda parte do país", diz.
E aí está outro detalhe do processo, como explica Anderson Ibanez, treinador da equipe feminina. "A minha ideia como técnico principal da seleção não é trazer o meu flag football. É entender o flag football delas. Saber como o pessoal de Manaus está jogando. Como o pessoal do Nordeste joga. Como é lá no Sul, no Centro-Oeste, no Sudeste. Entender todas essas tradições, ter um choque cultural mesmo dentro de campo", descreve.
No masculino não é diferente. Para o treinador Marcos Ferrete, é daí que pode sair uma escola brasileira de flag football. "Quanto mais conseguirmos essa diversidade para a seleção, melhor. E não só no sentido de ter uma seleção diversa culturalmente, mas para reunir qualidade. Temos um país de 200 milhões de habitantes. A seletiva que fizemos teve 60 atletas, praticamente todos os estados participando. Queremos que este número possa crescer", descreve.
No time masculino, por exemplo, três jogadores vem de Sorriso, no Mato Grosso, uma referência hoje nos campeonatos de base. Como o quarter back Pablo Santiago, de 17 anos. "Mano, isso está sendo uma experiência incrível. Tipo: nós de Sorriso moramos no interior do interior do Brasil. E não dá para saber direito como o pessoal que está em São Paulo joga. Sem falar que estar representando o Time Brasil pela primeira vez... Vai ficar para a história. Principalmente da minha, porque esta é minha primeira viagem internacional", revela.
Para Ferrete, este é um dos resultados pretendidos. "Quando esses jogadores saírem daqui, queremos muito que eles sejam a semente no time deles. Falamos isso bastante para os meninos: hoje vocês são referência." O treinador Anderson segue na mesma linha. Enquanto se abastece das diferentes abordagens da modalidade espalhadas pelo país, tenta devolver referências para novas jogadoras. "Elas levam de volta para os seus estados principalmente a esperança. A menina que estava ao lado da Maria Eduarda, por exemplo, podia pensar 'mas o pessoal nunca vai ver a gente aqui de Manaus'. E não é verdade. Estamos vendo todo mundo. Do Rio Grande do Sul, de Pernambuco, do Rio de Janeiro. E do Amazonas. Ela tem a menina ali como exemplo. E vai pensar 'se ela foi, eu consigo ir'. É assim que vamos fomentar a modalidade e ter cada vez mais crescimento", defende.
E os atletas, como Maria Eduarda, já estão assimilando. "Flag football é um esporte incrível. Lá em Manaus pode faltar estrutura, ter que treinar em campo de areia, mas as crianças são muito talentosas. E representando o Brasil, acho que eu posso ser uma porta de entrada pra todas elas seguirem. Para poderem ter mais oportunidades. Quem sabe?"












