Duda Bordignon é ouro, Bala Loka, prata, e Brasil tem casal top no BMX em Santa Fé 2026
Estreando em Jogos Sul-Americanos, paranaense fica no topo da disputa feminina e agradece ao namorado, parceiro de treinamentos em Maringá e com quem 'dividiu pódio' na final do BMX Freestyle

Duda Bordignon e Gustavo Balaloka comemoram as medalhas vencidas na competição Foto: Alexandre Loureiro /COB. IG: alexandreloureiroimagens
Eduarda Bordignon e Gustavo Bala Loka já são há alguns anos os maiores nomes do ciclismo BMX do Brasil. Nesta terça-feira (15), eles mostraram mais uma vez que não há limites para o potencial deles, algo bem ilustrado pelas alturas inacreditáveis que alcançam em voos radicais com suas bicicletas. Finalista olímpico em Paris 2024, Gustavo Oliveira, o ‘Bala Loka’, fez uma de suas melhores apresentações na final dos Jogos Sul-americanos e conquistou a prata. Já Eduarda Bordignon, também conhecida como ‘Duda Penso’, sai de Santa Fé 2026 com a medalha de ouro.
E não foi qualquer conquista. Afinal, a final do BMX freestyle feminino nos Jogos Sul-americanos foi de bom nível técnico. Com os 78 exatos alcançados na primeira volta, Duda Bordignon superou uma concorrência que envolvia duas atletas muito experientes. A chilena Macarena Pérez Grasset, vice-campeã mundial em 2019 e duas vezes finalista olímpica, ficou com a prata, ao receber 75 na segunda volta. A colombiana Liz Villegas, quinta colocada no mundial de 2019, e irmã gêmea de Queen Villegas, fez duas voltas ótimas, mas não conseguiu ultrapassar a brasileira, levando o bronze com 73,67.

“Acho que nada pode explicar o sentimento de estar aqui. Fazia muito tempo que eu queria trazer essa medalha. Estou realizada, feliz de ter conseguido entregar tudo que eu tinha planejado na pista e começar esse ciclo com pé direito. Que seja a primeira de muitas”, celebrou. Ela ainda fez questão de agradecer ao companheiro de vida e de treinos, Gustavo, e o treinador Paulo Saçaki, apontando o espírito de equipe como o grande diferencial.
Gustavo Bala Loka foi o primeiro nome da nova geração do ciclismo bmx brasileiro a conquistar o mundo. Eduarda Bordignon, sua namorada e parceira de treinos, está agora se habituando também a disputar provas com as melhores do mundo. Cada vez mais acostumada a disputar finais no circuito mundial, Duda estreou em Jogos Sul-americanos da melhor maneira possível. E sabe que não é o seu limite e há muito espaço para crescer. O objetivo é permanecer na elite do BMX mundial e a primeira vaga olímpica já está nos horizontes. “Na segunda volta, já sabia que tinha vencido, desci felizona e fiz uma manobra que eu ainda não tinha feito em competição e já tinha combinado com o Paulinho”, revelou.
“Todo o nosso trabalho em conjunto fez a diferença. Estamos muito focados em entregar voltas sólidas, com boas manobras do início ao fim, que é a parte mais difícil do BMX. De fora, um minuto parece pouco, mas na real quando você está dentro da pista, um minuto é uma eternidade. Isso é o mais desafiador e estamos treinando muito desde o ano passado, especialmente agora morando em Maringá, junto com o Paulinho”, explicou a atleta de 26 anos.
O calendário internacional está apertado, mas Duda e Bala Loka vão poder descansar alguns dias , antes de voltar aos treinos. A próxima competição no horizonte é a Copa do Mundo de BMX em Xangai, entre 16 e 19 de outubro. “Depois ainda tem Arábia Saudita, Japão, pan-americano no Chile. Calendário lotado até o fim do ano. Agora é ir para casa, tirar uns dias merecidos de descanso, voltar para os treinos com tudo e partir para a Ásia com tudo antes desse último tirão de 2026, que se Deus quiser vai ser muito abençoado também”, completou.
Sensação especial ao ‘dividir pódio’ com Bala Loka

No masculino, Gustavo Bala Loka fez uma primeira volta sensacional e parecia ter garantido o título, ao receber 94,67. Porém, o colombiano Luis Rincon impressionou ainda mais os juízes e conquistou 96 na segunda volta, terminando com o ouro na cidade de Rafaela. O argentino Manuel Turone ficou com o bronze, com 91,33. Tudo isso sob os olhos atentos de Maligno Torres, campeão olímpico em Paris 2024 e que precisou desfalcar dos Jogos Sul-americanos em casa por estar se recuperando de uma lesão.
Bala Loka até tentou buscar uma nota que lhe desse o ouro, mas quando não encaixou o início da manobra de maneira perfeita, preferiu não se arriscar e ficou feliz com a prata. O atleta de 23 anos lembrou que a corrida olímpica do BMX começa no Campeonato Mundial em Riad, Arábia Saudita, entre 3 e 7 de novembro, onde as primeiras vagas para Los Angeles 2028 serão distribuídas aos países. A cautela, portanto, falou mais alto. “Eu estava com visão de ouro, mas infelizmente a manobra não saiu como deveria sair e infelizmente fiquei com a prata. Achei melhor me manter seguro e partir para o Mundial da melhor maneira possível”, contou.
No final do dia, o casal pôde enfim comemorar ter subido ‘juntos’ ao pódio. “É muito especial. A gente vive isso todos os dias juntos, na pista, em casa. Um ajudando o outro. Então acho que a conquista dele é a minha, a minha é a dele. Estou muito feliz de ter o Gu no pódio junto comigo e levar as minhas medalhas para casa”. Gustavo também se mostrou mais emocionado com o ouro dela do que com o próprio resultado. “Estou muito orgulhoso dela, do quanto ela trabalha, treina, se dedica e se doa pela bike. Com certeza foi uma das melhores voltas que ela já fez e estou muito feliz por estarmos no pódio juntos, muito orgulhoso de nós dois”.












