‘Inimigos do fim’, Maranhão e Amazonas fazem final artilheira no handebol feminino dos Jogos da Juventude CAIXA 2026
Após empate em 37 a 37 no tempo normal e prorrogação, Maranhão vence no tiro de sete metros para conquistar o ouro

2026.09.28- Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu – Handebol – final feminina 2ª divisão – Maria Júlia Ribeiro (MA) – Washington Alves / COB. No IG: @washingtonalves50 / @timebrasil
Na linguagem esportiva, as equipes de Maranhão e Amazonas protagonizaram um ‘jogão’ na final da segunda divisão do handebol feminino nos Jogos da Juventude CAIXA 2026. Iguais em empenho e dedicação, não deu outra: uma chuva de gols, jogadas impressionantes e definição apenas no tiro dos sete metros.
Após um inacreditável empate por 37 a 37 no tempo normal e na prorrogação nesta quarta-feira, 28 de outubro, as maranhenses levaram a melhor nos sete metros ao vencerem por 4 a 3 e conquistarem o ouro – os dois estados garantiram acesso à primeira divisão. Na disputa do bronze, Minas Gerais venceu por 26 a 11 e ficou na terceira posição.
Os números dão uma amostra do que foi a partida. Foram 74 gols em 60 minutos de partida (50 minutos do tempo regulamentar e mais 10 na prorrogação). Isso dá uma média de um gol a cada 48 segundos, praticamente. Foi o jogo com maior número de gols nesta edição dos Jogos da Juventude CAIXA 2026.
“Foi estressante, o nervosismo foi a mil, mas é uma felicidade que não cabe dentro do nosso peito”, explicou Maria Júlia Ribeiro, destaque maranhense. “Foi muito emocionante e temos que agradecer às meninas do Amazonas por nos proporcionar essa bela partida”, continuou.
Apostando em goleira-linha desde o primeiro ataque, Maranhão liderou grande parte do placar. Pulou à frente e chegou a abrir cinco gols de diferença no início do segundo tempo. A vitória que parecia certa, porém, foi se esvaindo com a reação do Amazonas ao longo da segunda etapa.
Pouco a pouco tirou a diferença no placar e, com menos de dez segundos para o fim, buscou o empate. As amazonenses até chegaram a virar o placar na prorrogação, mas a troca de gols continuou intensa. No fim, o empate persistiu no placar, deixando a disputa no tiro de sete metros.
“Nosso treinador chamou a atenção, viu que a gente precisava ser mais unida e ter mais garra. A partir do momento que ele nos aconselhou e nos incentivou, vimos que a gente precisava ganhar esse jogo. Na correria a gente conseguiu buscar e empatar, então já é uma grande vitória para nós”, afirmou Tayane Pontes Melo, capitã do Amazonas.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

2026.09.28- Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu – Handebol – final feminina 2ª divisão – Maria Júlia Ribeiro (MA) – Washington Alves / COB. No IG: @washingtonalves50 / @timebrasil
Título coroa ‘último ano’ de grande parte da equipe do Maranhão
Para além da medalha de ouro, os dois estados tinham muito a conquistar nessa final – o que explica a busca incessante pela vitória.
No caso de Maranhão, a partida representava o ponto final para grande parte do elenco. O trabalho iniciado há seis anos passou por diferentes faixas etárias até chegar a esta temporada dos Jogos da Juventude CAIXA 2026. A maioria das atletas tem 17 anos e estoura a idade-limite.
“Acho que não tem como eu não me emocionar mais porque jogo essas competições desde 2021. O handebol é uma família para mim, então é muito doloroso ter que deixar esse momento incrível que representa os Jogos da Juventude na vida de um atleta”, afirmou Maria Júlia, 17 anos.
Foi no ambiente escolar que ela descobriu o handebol. Seu professor foi às salas de aula perguntando quem tinha interesse em experimentar o esporte e Maju, como é conhecida, já tinha amigas que praticavam. Logo no primeiro contato se apaixonou pela modalidade e não largou mais.
Participou de diferentes campeonatos e representou o Maranhão em muitos deles. Ela deixa as quadras sem saber como continuará no esporte, mas com a certeza de que deixa um legado para a próxima geração de maranhenses nos Jogos da Juventude CAIXA.
“Com muita luta, a gente deixa o Maranhão na primeira divisão. E que outras atletas possam vivenciar isso daqui e que aproveitem como se fosse único porque esse momento que cada um tem aqui é realmente único”, conclui.

2026.09.28- Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu – Handebol – final feminina 2ª divisão – Tayane Pontes Melo (AM) – Washington Alves / COB. No IG: @washingtonalves50 / @timebrasil
Amazonas ‘se doa’ em quadra por melhores oportunidades
Para as jovens do Amazonas, o handebol é muito mais do que os gols marcados em quadra.
“O nosso professor fala que a gente tem que se doar muito porque a gente não sabe quem está de olho em nós. Pode ser que algum dia a gente seja chamada para um clube”, afirma Tayane Pontes Melo, 16 anos.
Mesmo tão jovem, ela se tornou referência da equipe do clube de Urucará, pequena cidade no interior do Amazonas responsável pela equipe no handebol feminino. A equipe lida com os problemas inerentes às cidades pequenas, com pouca estrutura dedicada à prática esportiva – o que leva a um número menor de treinos e atividades.
Tayane mesmo não fazia ideia do que era handebol até o treinador a convidá-la na porta da escola. “Eu disse que não sabia o que era, mas ia aprender. Em um simples treino ele descobriu que eu tinha talento e poderia fazer parte da equipe”, explicou.
Isso foi em 2022. Mesmo com várias dificuldades no início, a atleta e o projeto de handebol começaram a crescer juntos e pouco a pouco. Em 2025, foi chamada para compor a seleção amazonense nos Jogos da Juventude CAIXA em Brasília, mas não conseguiu ir para o evento. Neste ano, porém, a equipe colocou como propósito a participação em Foz do Iguaçu.
Fizeram mais do que isso: colocaram Amazonas na primeira divisão pela primeira vez desde que o sistema de divisões foi criado há quatro anos. Uma experiência que ela não esquecerá tão cedo.
“Os Jogos da Juventude é o melhor momento de vida que a gente tem. É gastar sua adolescência em um lugar muito bom”, concluiu.











