Vinícius Sant’Anna confirma evolução no triatlo sul-americano contando com família na plateia
Ajudando o Brasil a conquistar a vaga nos Jogos Pan-Americanos de Lima no revezamento misto, triatleta brasileiro soma experiências internacionais e mira circuito mundial
Foto: Alexandre Loureiro /COB.IG: alexandreloureiroimagens
Aos 21 anos, Vinícius Sant’Anna já acumula experiências que reforçam sua trajetória rumo a uma carreira internacional no triatlo. Em Santa Fé, na Argentina, o brasileiro encerrou os Jogos Sul-Americanos com a medalha de ouro no revezamento misto, ao lado de Djenyfer Arnold, Antonio Bravo e Vittoria Lopes, resultado que garantiu ao Brasil a classificação para os Jogos Pan-Americanos de Lima. Na disputa individual masculina, terminou na quarta colocação.
Na competição por equipes, Vinícius foi o último dos quatro competidores brasileiros a iniciar o circuito. O quarteto alcançou o lugar mais alto do pódio, encerrando a prova em 1h25min51s, sete segundos de vantagem em relação aos chilenos segundo colocados.
“Ser o último é uma grande responsabilidade, mas eu gosto muito disso, porque as conquistas são divididas pelos quatro. Se a Djenyfer não faz uma boa prova, eu não consigo fazer e nem os outros. É uma emoção enorme conseguir uma medalha nos Jogos porque só acontecem a cada quatro anos e pouquíssima gente consegue chegar até aqui”, contou Vinícius.
Para o atleta, os resultados ganharam ainda mais significado diante da presença da família, que dirigiu por cerca de três dias para acompanhar a competição do atleta.
“Eu sou uma pessoa que sente muita saudade, sinto muita falta. Então, estar com eles para mim é muito importante. Saber que eles se dedicam, que viajaram dois mil quilômetros para estar perto de mim, é sensacional. Eu tenho uma família realmente muito espetacular”, afirmou.

A família também presenciou o quarto lugar de Vinícius na prova individual, que aconteceu dois dias antes do revezamento, na quarta-feira (16). A chegada foi decidida com um sprint final que fez o atleta conseguir superar um competidor chileno por uma diferença mínima para garantir a quarta colocação, encerrando a prova com 55min07s, 37 segundos atrás do campeão Andree Buc. O Chile garantiu ainda o segundo lugar com Mateo Mendoza, com 54min52s, enquanto o argentino Tiago Muñoz completou o pódio, em terceiro, com 54min57s. Vinícius terminou apenas 10 segundos atrás do terceiro colocado.
“Fui no meu máximo até a linha de chegada e no último metro consegui ganhar ali por um fio de cabelo do chileno”, brincou.
Uma entrada por acaso
Se hoje Vinícius encara viagens internacionais, treinos em altitude e competições ao lado de atletas experientes, sua história no triatlo começou quase por um acaso. Aos 12 anos, ele praticava natação em Curitiba, em uma piscina aberta, de 50 metros e sem aquecimento. Para enfrentar o frio antes dos treinos, o garoto costumava correr no parque. Até que uma oportunidade mudou o rumo da história.
“Minha tia escutou na rádio que tinha aberto vaga no colégio da Polícia para nadar. Como a piscina era muito gelada, eu costumava correr no parque antes de entrar na piscina para aquecer. Para mim, isso era normal”, lembrou.
O novo local de natação, porém, também tinha uma escolinha de triatlo. Sem saber exatamente o que era a modalidade, Vinícius iniciou a trajetória no esporte.
“Quando eu cheguei nessa equipe de natação, que era uma escolinha de triatlo, eu não sabia o que era triatlo. No primeiro dia, a gente correu e depois nadou. No outro dia, pedalou e depois nadou. Para mim, era uma forma de aquecer.”
A descoberta veio rapidamente. Uma semana depois, o técnico conversou com o pai de Vinícius e propôs inscrevê-lo em um Campeonato Brasileiro.
“Meu pai olhou para mim e falou: ‘O que você está fazendo no triatlo?. Eu não sabia que já estava fazendo triatlo. Foi uma ironia do destino. Entrei na escolinha, comecei a me destacar nas provas, continuei treinando e fiz muitos amigos.”
Primeiros pódios e experiências internacionais
O que começou como uma brincadeira aos 12 anos ganhou espaço na vida do atleta. A primeira grande experiência internacional veio nos Jogos Sul-Americanos da Juventude de Rosário, quando Vinícius conquistou a medalha de ouro.
“Foi minha primeira competição internacional e também meu primeiro pódio. Fui medalhista de ouro”, recordou.
Depois, vieram os Jogos Sul-Americanos de Praia de Santa Marta, com bronze no revezamento, e os Jogos Pan-Americanos Júnior, no ano passado. Cada competição passou a representar uma etapa diferente de aprendizado. Agora, aos 21, Vinícius se aproximou de um novo ambiente: o da elite do triatlo mundial.
Nesse processo, a convivência com atletas mais experientes da equipe brasileira tem sido uma das principais fontes de aprendizado. Nomes como Kauê, Bravo, Manoel Messias e Miguel Hidalgo, já habituados às principais competições internacionais, são referências para o jovem atleta.
“Estar perto do Kauê, do Bravo, do Manoel, do Miguel são atletas que têm muito mais experiência, muita bagagem de WTCS. Eles me ensinam muita coisa. Eu estou sempre vendo todos os passos do que eles estão fazendo para aprender e cada vez melhorar um pouco mais”, explicou.
O contato com esses atletas também ajuda Vinícius a entender o que é necessário para subir mais um degrau.
“Isso é muito importante para mim. Eles são muito receptivos também. Isso é muito legal. O Brasil tem uma equipe sensacional”, finalizou o brasileiro.










