Ouro em família: Juliana Duque e Rafael Martins vencem o snipe misto em Santa Fé 2026 com filha Lila na torcida
Título do casal, que veleja junto desde 2017, garante vaga para o Brasil na classe nos Jogos Pan-americanos Lima 2027, em um retorno especial quatro meses após o nascimento de Lila

Juliana Duque e Rafael Martins (Foto: Bruno Ruas /COB)
No primeiro compromisso internacional após o nascimento da filha Lila, de quatro meses, Juliana Duque e Rafael Martins conquistaram a medalha de ouro nas disputas da vela na categoria Snipe Misto nos Jogos Sul-americanos de Santa Fé. O título garantiu ao Brasil uma vaga nos Jogos Pan-americanos Lima 2027 e teve uma espectadora especial: a filha Lila, que acompanhou os pais durante toda a competição.
Na prova, o casal encontrou os melhores ventos e conquistou a medalha de ouro de forma antecipada, ao somar apenas 22 pontos em oito regatas, descartando a última. O segundo lugar foi conquistado pela dupla argentina, formada por Luciano Pesci e Florência Galimberti, que somou 28 pontos, e o terceiro, pelos peruanos Ismael Muelle e Maria Garcia Vegas, com 31 pontos.
Para a mãe, Juliana, o título representou também um marco no retorno às competições de alto nível após o parto por cesárea: “estou muito feliz. A Lila está com quatro meses e este é o nosso primeiro grande campeonato nas classes em que competimos, tanto a Pan-americana quanto a Olímpica (470). Sendo assim, este retorno tem sido muito positivo”, contou a velejadora.

O casal já havia participado de algumas provas desde o nascimento da filha como parte do processo de retomada, entre elas a Semana de Vela de Ilhabela de HPE 25, em julho, quando Lila tinha dois meses de vida. No entanto, os Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026 marcaram o primeiro grande teste físico desde a maternidade.
A volta às competições também exigiu uma operação familiar. A mãe da velejadora, Alina Duque, acompanhou a viagem e ficou responsável por cuidar de Lila enquanto os pais estavam nas regatas. Esta já foi a terceira viagem da bebê com a família.
“A ajuda da minha mãe tem sido fundamental para que possamos continuar treinando e competindo. É uma rotina bastante exaustiva, mas, ao mesmo tempo, muito gratificante. Quando voltamos para terra firme, a Lila sempre nos recebe sorrindo, o que torna tudo mais leve”, contou Juliana.

Mesmo assim, o momento mais esperado vinha depois de cada regata. Durante a prova, o casal conta que mantém a concentração total na competição. Assim que cruzam a linha de chegada, porém, o pensamento muda de direção.
“É uma sensação diferente. Já tivemos outras conquistas, mas esta tem um sabor especial por ser a primeira com a Lila presente. Tivemos uma experiência marcante quando competimos no Brasileiro, em Brasília, com a Ju grávida de sete meses, mas agora a Lila está aqui conosco. Estamos muito emocionados. Durante a regata, mantivemos o foco total, mas, assim que a prova termina, nosso pensamento volta imediatamente para ela. É um sentimento de pura gratidão”, disse Rafael.

Para preservar a rotina da bebê e também a concentração dos atletas, Lila fica com a avó durante as competições.
“Ficamos com ela até o último momento antes de sair para o clube. Deixamos a Lila com a minha mãe. Independentemente disso, ela é o nosso primeiro pensamento assim que cruzamos a linha de chegada”, explica Rafael.
O retorno ao alto rendimento após a maternidade está em andamento, e a medalha de ouro no Snipe Misto nos Jogos Sul-Americanos veio para confirmar o progresso e representa mais uma etapa de um projeto maior. Para a campanha olímpica na classe 470, o casal ainda tem objetivos pela frente, incluindo os Jogos Pan-americanos Lima 2027. Mas, enquanto trabalha, o casal encontrou na filha um “amuleto da sorte” e uma nova companheira de viagens.
“Ela trouxe sorte e agora fará parte de todas as nossas viagens”, brincou Rafael.
Vela brasileira termina Santa Fé 2026 com quatro medalhas

Além do ouro de Juliana Duque e Rafael Martins no snipe misto, a vela brasileira ganhou três medalhas. Guilherme Plentz foi campeão no iQFoil masculino, Philipp Grochtmann foi medalhista de prata no ILCA 7 e Valentina Roma foi bronze no ILCA 6.
Guilherme Plentz terminou com 10,33 pontos perdidos. Kaj Rozeboom, de Aruba, ficou com a prata, com 15, e o argentino Joaquin Reutemann foi bronze, com 19.“A prova foi bem dura, porque tivemos bastante tempo esperando, mas foi um campeonato bem duro. Os adversários eram bons, todos bem jovens mas todo mundo muito talentoso”. O brasileiro chegou com uma boa vantagem na última regata, mas preferiu não fazer conta para garantir o ouro. “A última regata foi bem legal porque eu só precisava chegar no top 13, mas acabei passando todo mundo e ganhe. É legal ganhar o campeonato vencendo a última regata também”.

Tanto Guilherme quanto Philipp salientaram a importância de superar adversidades, como o mau tempo que provocou o cancelamento de algumas etapas. “Foi um campeonato bem difícil aqui com as condições de vento bem desafiadoras, e os adversários são muito bons, com bons desempenhos internacionais. No fim, tive uma disputa bem acirrada com o argentino Francisco Guaragna pela medalha de prata, que acabou indo para a última regata e acabou dando tudo certo”, disse Philipp. O peruano Stefano Peschiera, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos Paris 2024, foi o vencedor da prova.
O velejador fez questão de valorizar o trabalho da equipe em Santa Fé 2026. “Queria agradecer o apoio do COB e da Confederação Brasileira de Vela, A nossa equipe é bem unida, a gente sempre conversa depois das regatas para saber o que aconteceu. Passamos o dia inteiro junto, temos uma convivência legal com o grupo todo. Na última regata, a Valentina estava tendo uma disputa muito acirrada e demos uma força para ela, para que tivesse um bom desempenho e deu certo”.

Felipe Fraquelli terminou em quinto lugar no sunfish masculino, enquanto Ana Carolina Roth terminou em oitavo no sunfish feminino.












