Técnico britânico celebra ouro e vaga no Pan no hipismo completo, e fala em evolução do Brasil
William Fox-Pitt, considerado um dos maiores atletas da história, é o treinador desde 2022 da seleção e destaca ambição da equipe brasileira para vencer Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026

Equipe brasileira conquista a medalha de ouro no Hipismo completo - Foto: Gaspar Nóbrega/COB.
Quando William Fox-Pitt veio ao Brasil disputar os Jogos Olímpicos Rio 2016 como atleta, ele havia passado por um grave problema de saúde que o deixou em coma por duas semanas. Mas o cavaleiro, três vezes medalhista olímpico, não desistiu e participou de sua quinta edição olímpica como cavaleiro. O que ele não imaginava é que sua conexão com o Brasil seria ainda mais forte alguns anos depois. Considerado um dos maiores atletas da história do hipismo completo, o britânico é o treinador do país desde 2022. Neste domingo, ele comemorou a medalha de ouro por equipes do Brasil nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, que também garantiu a presença nos Jogos Pan-americanos. Com um estilo tipicamente britânico, ele já destaca o que pode melhorar, já pensando em Lima 2027, valorizando a atitude e a ambição dos brasileiros.
Após passar muito bem por uma difícil prova de Cross country no sábado, o Brasil manteve a liderança e terminou com 202 pontos, com boa vantagem sobre a Argentina, com 310,4 e do Chile, com 433,6. O quarteto brasileiro foi formado por Marcio Appel, Luiz Augusto de Faria, Pedro Maia e Rafael Ribeiro. Na final individual, também decidida após os resultados de hoje, Rafael terminou em quarto lugar, Pedro ficou em quinto e Márcio foi o sexto melhor. O ouro foi para o chileno Mateo Garín, a prata ficou com Juan Benitez, da Argentina, e o bronze com Federico Daners, do Uruguai.
“O Brasil veio para os Jogos Sul-americanos em muito boa forma, com bons cavaleiros e bons cavalos. Nossas expectativas eram muito altas, mas eu diria que nem tudo foi do jeito que desejávamos. O Brasil teve alguns pequenos erros, e não tivemos sorte. Ontem foi um dia muito difícil, mas como time, eles foram muito fortes. É uma boa performance em geral terminar com três cavalos e ganhar ouro é sempre incrível. Mas nós gostaríamos de ter tido um melhor desempenho”, avaliou William Fox-Pitt.
Márcio Appel, experiente atleta com duas participações olímpicas, destacou o empenho da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) e do Comitê Olímpico do Brasil (COB) em garantir a melhor preparação para o evento. “Foi uma preparação muito boa. Queria parabenizar a CBH, o COB e o nosso técnico, William Fox-Pitt, que é top mundial. A gente sabe que a logística dos cavalos não é fácil, então ter trazido esses cavalos com antecedência, de avião, com a melhor logística ajudou demais aí para a gente conquistar esse importante título. Então, queria agradecer bastante”, falou ele.
O atleta fez questão de valorizar também a presença do treinador, que já ganhou 14 provas de cinco estrelas, um recorde no esporte mundial. “É incrível a preparação e ter o William, um medalhista olímpico e referência mundial. Para quem não é da modalidade, dá para comparar ele com Novak Djokovic no tênis, pois a prova 5* é como se fosse o Grand Slam. Só do Brasil chegar numa competição com ele do lado, já dá tranquilidade e impõe mais respeito contra os adversários. Ele sabe a palavra certa, o momento certo e a experiência dele valeu demais. É um orgulho a gente poder contar com uma lenda que nem o William Fox-Pitt nos treinando”.
O técnico reconhece que mesmo os percalços pelos quais o Brasil passou hoje podem colaborar com o desenvolvimento do esporte no Brasil. “Olhando agora para os Jogos Pan-americanos, isso foi muito educativo. Nós precisamos melhorar mais e também precisamos de um pouco mais de sorte”, brincou o britânico, que destacou ainda o que mais gosta de trabalhar aqui. “Eu adoro a atitude brasileira, a ambição. É muito emocionante ajudar eles porque eles estão melhorando”, destacou ele.
Rafael Ribeiro e Márcio Appel comentam sobre dificuldades no cross-country
Sobre a prova, Márcio Appel destacou que a prova do cross-country foi muito desafiadora e “surpreendeu a todos”. “A pista estava muito técnica e qualquer detalhe complica. No cross-country você tem que ir rápido e ao mesmo tempo de forma muito técnica. Todos os cavalos fizeram uma boa apresentação no adestramento e o cross foi muito desafiador, surpreendeu acho que a todos. É o desafio que o armador coloca para a gente. Qualquer erro, você tem um desvio e pode ser eliminado. Acabamos tendo uma pontuação maior que a gente esperava, mas fomos melhores que os outros. Uma pena que as pequenas penalidades tiraram nossa medalha no individual. É bom que o time era forte e a gente conseguiu virar hoje na liderança e confirmar essa medalha de ouro tão importante e, principalmente, a vaga para os Jogos Pan-americanos”, completou ele.
A competição foi ainda especial para Rafael Ribeiro, melhor brasileiro na disputa individual. Originalmente um atleta do hipismo altos, ele passou a disputar o hipismo completo apenas no ano passado. “Tenho um pouco mais facilidade no salto. Hoje, minha égua saltou muito bem e eu consegui fazer o zero. O cross, sem dúvida, é o mais emocionante e o adestramento é meu desafio maior”, contou.












