Opinião: Esperança move torcida pelo Brasil com estreia em Milão-Cortina 2026
Enquanto sonha com possíveis medalhas, torcedor brasileiro pode ter esperança por bons resultados a partir desta terça-feira, 10 de fevereiro, com a estreia do esqui cross-country

*Por Gustavo Longo, especialista em Jogos Olímpicos de Inverno
Após três dias de competições, finalmente chegou a vez do Brasil colorir a neve e o gelo dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026. Nesta terça-feira, 10 de fevereiro, Eduarda Ribera, Bruna Moura e Manex Silva serão os responsáveis pela abertura da campanha brasileira nesta edição – que já começou história com recorde de delegação e que mais gera expectativa entre os torcedores desde nossa estreia, em Albertville 1992.
A esperança de todos, claro, é a medalha Olímpica inédita nos esportes de inverno. Subir ao pódio nunca é fácil, mas desta vez temos três chances consideradas reais para este feito: Lucas Pinheiro Braathen no esqui alpino, Nicole Silveira no skeleton e Pat Burgener no snowboard halfpipe. Favoritos ou franco-atiradores, eles estão na elite de suas modalidades e fizeram por merecer este status ao longo do ciclo Olímpico.
Porém, esperança não significa apenas aguardar por algum feito ou realização. Representa, antes de tudo, um testemunho de fé, a confiança de que tudo dará certo independentemente das dificuldades apresentadas.
Nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, mais do que a expectativa por resultados históricos em algumas provas, existe a confiança pelo bom desempenho de todos os atletas do Time Brasil. Se não são todos que brigarão por medalhas Olímpicas em suas provas, é possível garantir que os 14 representantes do país buscarão feitos inéditos para o país – ainda que a posição final seja diferente daquela que nos acostumamos a associar com vitórias.
Não espere de Manex, Eduarda e Bruna, por exemplo, uma disputa pelas primeiras posições na prova de sprint clássico do esqui cross-country nesta terça-feira, dia 10. Dos 95 homens e 89 mulheres na disputa, apenas os 30 melhores seguem adiante para as quartas de final. Mesmo assim, há a esperança de um resultado inédito para o esporte brasileiro nesta modalidade.
Manex, por exemplo, encerrou sua preparação Olímpica estabelecendo o recorde masculino do Brasil na modalidade em uma etapa da Copa do Mundo e, uma semana depois, seu melhor resultado da carreira no sprint clássico, a mesma técnica que será utilizada nesta terça-feira, dia 10, em Milão-Cortina 2026.
Bruna Moura fez dois dos seus oito melhores resultados na neve também em janeiro de 2026, enquanto Eduarda Ribera teve a melhor posição do país no sprint em campeonatos mundiais da modalidade em 2025.
Ter esperança é saber reconhecer que, de repente, um top 60 seria um resultado histórico para o esporte Olímpico de inverno do Brasil. Ou que mais do que o resultado em si, o que vale é observar a pontuação FIS da prova (o ranqueamento utilizado pela modalidade e que parte sempre do zero, melhor resultado, adiante). Ou ainda que a distância em relação aos líderes é tão ou mais importante do que a classificação final.
Esperança é uma característica inerente aos torcedores – ninguém torce de verdade se não esperar sempre algo positivo, uma reviravolta ou conquista. Porém, na onda positiva que cerca os esportes de inverno do Brasil, ela deve acompanhar todos os pequenos passos que o país dá em suas modalidades – e não apenas na expectativa de grandes feitos que sempre sonhamos.
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Confira curiosidades e números para a estreia do Brasil em Milão-Cortina 2026
-Os três atletas de esqui cross-country do Brasil nasceram no Brasil: Bruna é da Caraguatatuba (SP), Eduarda de Jundiaí (SP) e Manex de Rio Branco (AC)
-O recorde brasileiro em Jogos Olímpicos de Inverno no esqui cross-country é de Manex Silva: 171.68 pontos no sprint livre em Beijing 2022
-Já o recorde feminino em competições Olímpicas é de Jaqueline Mourão com 172.88 nos 10km livre em Vancouver 2010; no sprint também é de Jaque, com 242.73 em Sochi 2014
-Manex mora no País Basco e treina com a equipe espanhola de esqui cross-country aos pés do Pirineus; Bruna vive em Nunspeet, nos Países Baixos; Duda permanece em Jundiaí
-Aos 31 anos, Bruna Moura é a atleta mais experiente do Brasil no esqui cross-country, mas é a única estreante em Jogos Olímpicos: Manex, 23, e Eduarda, 21, competiram em Beijing 2022.
-Manex Silva vive grande fase: estabeleceu o recorde masculino do país com 81.36 pontos no sprint livre da Copa do Mundo em Oberhof (Alemanha) e, uma semana depois, fez a melhor marca do Brasil no sprint clássico (a mesma técnica em Milano Cortina 2026) com 137.38
-Bruna também vem de bons resultados: em janeiro fez 183.67 nos 10km estilo clássico na Itália e 186.00 nos 10km estilo livre na Alemanha. Os dois resultados estão no top 8 de sua performance histórica na neve
-Eduarda Ribera detém a melhor posição de sprint do Brasil em campeonatos mundiais: foi a 68ª de 121 atletas que completaram a disputa












