Opinião: Nos Jogos Olímpicos de Inverno, o Brasil sempre deve olhar para o futuro
Com estreia de Alice Padilha no esqui alpino feminino em Milão-Cortina 2026, Time Brasil mantém principal característica de sua participação nos Jogos Olímpicos de Inverno: envolver jovens e novos praticantes

Foto: Gabriel Heusi/COB
*Por Gustavo Longo, especialista em Jogos Olímpicos de Inverno
A medalha de ouro de Lucas Pinheiro Braathen (assim como a própria participação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026) vai mudar o nosso cenário nos esportes Olímpicos de inverno. Porém, mesmo nesta edição, a delegação brasileira se depara com momentos que remete à essência do país nestas modalidades: a presença de jovens atletas como mola propulsora para envolver e estimular essa pequena, mas influente, comunidade.
Nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, os torcedores poderão testemunhar isso em ação: aos 18 anos, Alice Padilha vai competir no slalom do esqui alpino feminino, sua única prova na neve italiana. Ela recoloca o Brasil nesta modalidade entre as mulheres após 12 anos – última participação tinha sido de Maya Harrisson em Sochi 2014. Ela é, inclusive, a atleta mais nova da delegação brasileira.
Justamente pela baixa idade, a brasileira segue evoluindo dentro da modalidade. Esteve presente nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude Gangwon 2024. mas não completou as duas provas que disputou. Mesmo assim, enquanto ainda busca maior constância, ela se tornou apenas na quarta brasileira da história a romper a barreira dos 100 pontos FIS no esqui alpino. Também é apenas a quarta da história nos Jogos Olímpicos de Inverno, fazendo companhia a Evelyn Schuler, Mirella Arnhold e Maya Harrisson.
Contudo, mais do que resultados, é a expectativa pelo futuro que move a torcida em torno dela em Milão-Cortina 2026. Com 18 anos, Alice Padilha pode evoluir mais no próximo ciclo Olímpico e sonhar com resultados melhores – quem sabe até ganhar companhia de mais mulheres na equipe feminina do Brasil.
E é justamente este ponto que sempre caracterizou as participações brasileiras nos Jogos Olímpicos de Inverno. Costumamos associar o evento aos nomes experientes que ‘furaram a bolha’ nas últimas edições, como Jaqueline Mourão, Edson Bindilatti e Isabel Clark. Mas são os jovens, e não apenas os veteranos, que ano a ano criam a base necessária para o desenvolvimento do país nas modalidades de neve e gelo.
Nesta edição, por exemplo, tivemos Giovanni Ongaro, de 22 anos, alcançando bons resultados no esqui alpino masculino. Manex Silva, 23, e Eduarda Ribera, 21, se consolidam como principais nomes do esqui cross-country – inclusive com duas participações Olímpicas. Augustinho Teixeira tem 21 anos e top 20 no snowboard halfpipe, e Gustavo Ferreira com 23 anos foi preparado para ser o piloto titular do bobsled brasileiro.
Sempre foi assim. Em Albertville 1992, por exemplo, a delegação tinha Fabio Igel, 21, Marcelo Apovian, 19, Sergio Schuler, 19, e Evelyn Schuler, 17. Em 2002 tinha o próprio Edson Bindilatti aos 22 anos e Mirella Arnhold aos 18. Victor Santos tinha 20 anos em PyeongChang 2018, enquanto Isadora Williams tinha 18 em sua estreia Olímpica e 22 quando se tornou na primeira latino-americana na final da patinação artística.
A presença de jovens atletas oferece aquilo que os esportes de inverno mais precisam para sobreviver no Brasil: continuidade e esperança. Quando se tem atletas mais novos nas modalidades, é possível pensar sempre a médio e longo prazo – e utilizá-los de exemplos para que mais jovens possam se envolver com a neve e o gelo. É um círculo virtuoso que permite o crescimento (ainda que em pequenos passos) em nossa realidade. Quando um destes jovens se destaca, a evolução é acelerada.
Assim, quando Alice Padilha estrear na neve italiana, ela buscará o melhor resultado diante de seus objetivos, mas também levará os olhos dos torcedores para o futuro. Afinal de contas, Alpes Franceses 2030 também já é logo ali.
Fatos e curiosidades sobre a participação de Alice Padilha no esqui alpino em Milão-Cortina 2026
É a última atleta brasileira a estrear em provas individuais nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026
Com 81.79 pontos FIS em dezembro de 2025, ela conquistou o melhor resultado do Brasil no esqui alpino em mais de dez anos (superando os 85.06 de Chiara Marano em janeiro de 2014)
É a quarta brasileira a romper a barreira dos 100 pontos FIS em provas oficiais de esqui alpino. Antes dela, apenas Maya Harrisson, Anna Breigutu e Chiara Marano conseguiram o feito – Isabella Springer, logo depois de Alice, foi a quinta mulher.
Será apenas a terceira participação do Brasil no slalom feminino em Jogos Olímpicos de Inverno. Somente Maya Harrisson participou desta prova. Foi 48ª em Vancouver 2010 e 39ª em Sochi 2014.
Alice Padilha possui dois irmãos também envolvidos no esqui alpino. Arthur, que é gêmeo dela, competiu também em Gangwon 2024 e também ficou elegível à vaga em Milão-Cortina 2026. Antônio, o mais novo, estreou nesta temporada e conta com resultados promissores.
Natural do Rio de Janeiro (RJ), Alice Padilha é fã de Lindsey Vonn e também gosta de hipismo e hóquei sobre a grama como hobby












